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Terça, 20 Janeiro 2015 10:53

Histórico SAAE

 

“Nossa história no curso das águas”

 

Segundo relatos do Engenheiro Carlos Saboia, escrito em 1991, em comemoração aos 50 anos do SAAE Sobral revelam traços de uma história de desafios e conquistas por parte de relevantes nomes que transformaram em realidade a oferta de um serviço de saneamento básico para os sobralenses. Conforme relato, Sobral situava-se, quase toda, à margem esquerda do rio Acaraú, aonde a água do subsolo era de elevado teor salino, o que tornava de limitada serventia aos poços dos quintais dos lares sobralenses. Além desse contexto geográfico, a cidade de Sobral na década de 50 não contava, ainda, com sistemas de abastecimento de água, muito menos um sistema de coleta e tratamento de esgoto. Esse cenário precário repetia-se no interior cearense, que aguardava por desenvolvimento. A água consumida era proveniente de cacimbas e poços de cacimbões escavados no leito do rio Acaraú, ainda não perenizado. O engenheiro lembra que em períodos chuvosos, a principal fonte vinha das águas barrentas do rio.

Nessa período, Sobral tinha cerca de 35 mil habitantes, que consumiam água transporta em carroças ou jumentos. Ainda seguindo os registros de Carlos Saboia, a história do saneamento básico e do acesso a água potável para consumo humano, em Sobral,  teve um protagonista ilustre. Vindo da Alemanha, naturalizado brasileiro ao casar com uma sobralense, o engenheiro Teodor Ziescmer tornou-se um dos pioneiros em relação ao abastecimento de água de Sobral. Dentro de sua campanha de melhoramentos para Sobral (ou nome similar), o engenheiro levantou a bandeira do fornecimento de energia elétrica e água potável.

 

Tempos depois, Sobral recebera o “papa” da engenharia sanitária brasileira, o engenheiro Saturino de Brito Filho, assim como fora seu pai. Carlos Saboia também teve acesso a uma comunicação, por meio de carta do visionário Teodor Ziescmer. Nesta carta, o engenheiro alemão diz que teve longa conversa com o “papa” da engenharia sanitária, Saturino de Brito Filho sobre vinda a Sobral. Na ocasião, Saturino  reuniu-se com Plínio Pompeu, Paulo Ferreira e Prefeito João Mello para tratar sobre o abastecimento de água, visando o aproveitamento do açude Jaibaras. Um pouco antes, precisamente em 1947, iniciou-se os trabalhos do planejamento sanitário de Sobral dirigidos pelos engenheiros Teodor e Saturino. Em decorrência da falta de incentivos, os trabalhos foram interrompidos e Teodor desligou-se em 1948 dos projetos organizados com Saturino de Brito. Somente mais tarde, em 1955 o ideal de Teodor começava a tomar contornos reais. Entretanto, em 1954, um ano antes foi criado o Serviço Especial de Engenharia Sanitária do Ceará – SEESC, com a proposta de melhorar o abastecimento de água no interior cearense. Depois do esforços de muitos, Sobral foi incluída no 1°grupo de cidades beneficiadas.

É válido ressaltar um parêntese, no período entre 1950 e 1955, período que marca a iniciativa de um sistema de abastecimento de água independente, realizados pelo Dr. José Tupynambá da Frota, Dr. Cesário Barreto e o Enenheiro Waldenor Hortman. Esse sistema independente chegou a abastecer o abrigo Coração de Jesus e aproximadamente 400 residências.

A captação era feita em 2 poços rasos situados no rio Acaraú, onde a água era recalcada num reservatório no abrigo citado e distribuída através da rede que chegava até a Praça do Patrocínio. Por fatores técnicos e falta de incentivos o sistema não prosseguiu.

Visão aérea Praça do Patrocínio e adjacências

 

Seguindo a história relatada por Carlos Saboia e partindo, novamente, do ano 1955, Sobral é incluída no programa do SEESC com dotação de uma verba de Cr$ 6.800.000,00 no orçamento da União, consignada ao DENOCS  e aser utilizada mediante convênio com a Prefeitura. Por intermédio de Teodor, o prefeito de Sobral, Dr. Paulo Sandford  concedeu ao SEESC plenos poderes para projetar e executar o sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário, retirando o DENOCS das articulações. O idealizador Teodor posicionou-se à frente dos projetos de saneamento em Sobral, à convite do Diretor do SEESC, o engenheiro Barbosa, que o encarregou de supervisionar os trabalhos de sondagem e, mais tarde, os trabalhos envolvendo o levantamento topográfico e a elaboração definitiva do projeto do sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário. E assim, Teodor consegue por em pratica seus sonhos de outrora, sendo designado a dirigir a construção desse sistema.

As obras iniciaram em 1957, executados de forma direta, sem concurso de firmas privadas. Em outubro, deste mesmo ano, iniciou a construção do reservatório de 500 m³ no Morro do Cristo Redentor. No ano seguinte, em 1958, a seca invadira o Nordeste, entretanto foi um período de maior intensidade nas obras. Em 1959 houve redução do ritmo das obras, por conta do atraso no repasse das verbas, que retardou o recebimento de tubulação e equipamentos essenciais. A população de Sobral chegara a 50 mil habitantes e deu-se início a execução de uma nova etapa condicionada aos recursos disponíveis, concluída em meados de 1960.

 

Servidores SAAE Sobral (período em que era administrada pela Fundação SESP)

 

Registro do 1º Servidor do SAAE Sobral

 

O serviço  a ser prestado passa por um impasse administrativo, sobre quem ficaria á frente: DNOCS, SEESC ou Prefeitura. Nesse meio tempo, o SEESC foi extinto em 1961, período em que o atual Prefeito de Sobral, Padre Palhano resolveu aceitar as orientações vindas do SESP (antigo SEESP) e cria, através da lei n° 88 o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sobral – SAAE, cuja a administração foi entregue ao SESP, mediante convênio. A etapa concluída envolvia obras na captação (poços, bombas, adutoras), na rede distribuidora e nos reservatórios.

O sistema foi inaugurado e passa imediatamente a funcionar em 15 de agosto de 1961.

 Inauguração ETA Sumaré (Arquivo SAAE)

 

Fonte: relatos do Engenheiro Carlos Saboia, escrito em 1991 (Arquivo SAAE Sobral).

 

Breve histórico de Sobral

 

Situada na região Norte do Ceará, a 235 quilômetros de Fortaleza, a cidade de Sobral se apresenta como o mais significativo referencial de crescimento e desenvolvimento econômico do interior do Estado, constituindo-se num centro de convergência, por sua ampla e moderna estrutura nos setores da saúde, educação, comércio, indústria, serviços, lazer, cultura e arte. Inserida no rol das cidades que mais se desenvolveram no Brasil, nos últimos 10 anos, e também uma das 30 melhores para se morar. O rio Acaraú e a Serra da Meruoca se constituem nos principais ícones do cenário natural desta terra, que se limita a norte com os municípios de Massapê, Santana do Acaraú e Meruoca, a sul com Santa Quitéria, Groaíras e Cariré, a leste com Itapipoca, Irauçuba e Canindé, e a oeste com os municípios de Coreaú, Mucambo e Alcântara. Sobral é ligada a Fortaleza pela BR-222, que interliga nosso estado aos estados do Piauí, Maranhão e Pará. Há 50 anos, a cidade era o mais importante pólo comercial do norte do Estado. 

Limitações sobralenses

 

Sobral vem experimentando um forte processo de modernização em sua estrutura econômica. Nascido em 1841, o Município ocupa uma área de 2.129 quilômetros quadrados, tem uma população, estimada pelo IBGE, em 2014,  é de 199.750 habitantes, e está a uma altitude de 70 metros acima do nível do mar. O clima é quente e seco, com uma temperatura média de 30 graus centígrados.

Fonte: IBGE

 

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